A ressignificação do funk carioca

por Isabela Dias*

Em entrevista coletiva, concedida aos alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: Técnica de Linguagem Jornalística Aplicada, dia 15 de abril, o pesquisador Pablo Laignier abordou a polifonia social representada pelo funk carioca. Disse que esse movimento, ritmo e elemento cultural, cuja nomenclatura mais apropriada deveria ser “funk fluminense”, pois está inserido em um universo mais amplo do que a região metropolitana da cidade, teria seu discurso voltado para a exploração da alteridade.

A partir de sua experiência como observador participante do cenário efervescente do funk na favela, Laignier contradisse a noção comumente difundida pela mídia hegemônica de que o funk resume-se à violência, à pornografia e ao tráfico. Sua diversidade temática, constituída por diferentes matizes como os funks politizado, proibidão, irônico, melody e gospel nega o estigma de gênero musical menor, representativo de uma chamada baixa cultura. “Ao contrário do discurso midiático da grande imprensa carioca, que associa o funk à criminalidade mais do que à cultura do Rio de Janeiro contemporâneo, a produção e a difusão deste gênero musical são amplas e diversificadas”, afirmou.

Originado de um ritmo norte-americano dos anos 1960 e tendo se difundido no Rio de Janeiro a partir da década de 70, o funk encontrou nas favelas um ambiente fértil, carente de aparelhos culturais e rico em laços comunitários. Em contato com os maiores expoentes do ritmo, como o Mc Leonardo e integrantes da Furacão 2000, Laignier redescobriu, assim, o funk produtor de uma crônica social da contemporaneidade,  difundido também no “asfalto”.

Apesar dessa visão, o pesquisador entende que o funk permanece sendo objeto de preconceito por parte da mídia e da classe média. Além disso, muitos artistas que já foram incorporados pela indústria cultural, produzem letras com teor cada vez menor de denúncia social e reivindicação. Há, no entanto, a possibilidade do surgimento de uma nova vertente de artistas que buscariam recuperar a intenção primeira do funk de disseminar as múltiplas vozes de uma minoria. Reside aí a esperança daqueles que acreditam no poder desse gênero musical de promover a ressignificação de um espaço deixado ao esquecimento.

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