A academia sobe o morro

por Nicholas Shores e Arthur Rivelo*

Doutorando da UFRJ participa de debate sobre o funk carioca, expõe sua pesquisa acerca da história do ritmo e tenta mostrar que as letras não se resumem à apologia ao narcotráfico e à pornografia. Pablo Laignier expôs, em entrevista coletiva no dia 15 de abril, os bastidores de sua pesquisa sobre o funk carioca. Para mostrar que a cultura musical dos morros é mais rica do que se presume à primeira vista, o pesquisador dividiu o gênero em várias subcategorias. Além disso, destacou que há, atualmente, um segmento da indústria fonográfica voltado exclusivamente para a produção de eventos e programas de rádio do funk.

Durante a exposição, o pesquisador mostrou faixas de diferentes épocas e apontou as várias abordagens de temas como discriminação social, referência a relações sexuais e a ostentação do tráfico. Em alguns casos, a seleção de músicas que podem ser tocadas nas festas passa pela censura da facção criminosa que domina a região. Conflitos à parte, as amizades também têm seu lugar no som da favela. É comum que canções de um MC referenciem funks de outros, caracterizando relações como troca de favores e publicidade.

Laignier vê em seu objeto de pesquisa uma expressão cultural muito particular de nossa cidade.  Frequentador de bailes desde a juventude, enfocou seu trabalho na Furacão 2000, produtora que domina o segmento de mercado do gênero musical. O selo detém direitos sobre um vasto número de gravações e fica, na maioria dos casos, com a maior parte da receita gerada em apresentações e outros eventos com presença de MCs.

O monopólio exercido pela Furacão no meio comercial do funk serve de gancho e traz à tona a questão da condição socioeconômica dos cantores. O pesquisador surpreende os presentes ao contar que funkeiros conhecidos passam constantemente por dificuldades financeiras. Isso se deve à pequena parcela que resta aos músicos em eventos organizados pela produtora. “MCs como Mr Catra são casos à parte”, afirma Laignier sobre o cantor criado em família de classe média e graduado em Direito.

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