“O funk causa desconforto”

por Marina Carvalho*

Na última sexta, 15 de abril, o professor e pesquisador Pablo Laignier, apresentou, em entrevista coletiva, no campus da Praia Vermelha da UFRJ, seu trabalho de pesquisa que tem como objeto o funk carioca. Segundo Laignier, é curioso o fato de existir poucos livros e estudos aprofundados sobre o assunto, tendo em vista o grande volume de dinheiro que este movimenta, com considerável repercussão, tanto no âmbito econômico como no político e cultural.

“O funk causa desconforto”, disse o pesquisador. Para ele, o impacto e mal-estar que esse gênero pode causar nos espaços em que não é familiar foi um grande motivador na hora da escolha de seu objeto de estudo. Tal incômodo vai desde a sonoridade, com um ritmo agitado em sua batida característica, até às letras que, no caso do chamado “proibidão”, abordam temas relacionados a sexo, drogas e facções criminosas.

Os temas das canções, no entanto, não se restringem a pornografia e criminalidade. Eles são diversos, servindo de critério de classificação para o que o professor chama de tipologia do funk. Há, por exemplo, o funk meloso, com letras mais românticas, o irônico, o infantil e o de louvor, que aborda temas religiosos. O pesquisador chamou a atenção para traços em comum nos diferentes tipos do gênero.

Todos se assemelham em um aspecto, na construção de linguagem própria, que, por afirmar uma identidade dos que a construíram, cria um “valor afetivo do funk para a população”, ressaltou. Também influenciaram na opção de estudo de Laignier, a sua relação com a comunicação comunitária e seu gosto por misturas. Ambos dialogam diretamente com o funk carioca que, da zona norte à zona sul, “faz circular a voz das favelas”, concluiu.

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Um pensamento sobre ““O funk causa desconforto”

  1. Max Maulaiz disse:

    Parabéns ao mestre Pablo pelo brilhante trabalho de pesquisa. Shalom!

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