10 anos de Fórum Social Mundial comemora progresso

O Fórum Social Mundial, realizado de 25 a 29 de janeiro deste ano no Brasil e em diversas cidades do mundo representa um avanço significativo dos movimentos sociais. Após 10 anos realizando o FSM e com mais de 35 mil pessoas participando das atividades só na Grande Porto Alegre, os movimentos têm buscado uma maior integração entre si e das lutas por um outro mundo possível.

Na Assembleia Geral, no dia 29 de janeiro, com mais de mil pessoas no auditório da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, ficaram estabelecidas algumas pautas para 2010, dentro de quatro eixos temáticos: contra os efeitos da crise do capitalismo sobre os trabalhadores; contra as políticas que causam danos ao meio ambiente; contra a militarização; e pela soberania alimentar.

Mas o mais importante das pautas talvez seja a proposta de formação de uma rede colaborativa de movimentos para estimular a troca de experiências e permitir que organizações que trabalham pela mesma causa, em diferentes locais, se articulem de forma mais integrada.

Mais do que isso, é importante perceber que as lutas, por mais distantes que possam parecer, estão intimamente ligadas a um objetivo maior: a construção de um novo paradigma de vida. E este é um dos principais problemas enfrentados pelos movimentos sociais, essa falta de integração, de não perceberem que no fim das contas os objetivos são os mesmos, sem demérito para nenhuma causa.

É importante observar a relevância dos movimentos de causas mais específicas, porém, é preciso ressaltar que quanto mais juntos, mais fortalecidos estarão os movimentos. Nesse sentido, dentre as contribuições geradas na Assembleia, há destaque para a inclusão de maior variedade de profissionais nos debates, dando ênfase aos profissionais ligados à área tecnológica. É mais um passo para essa integração e também o reconhecimento de que as ferramentas tecnológicas têm hoje um peso fundamental na construção de uma nova perspectiva de mundo.

Não por acaso e seguindo o mesmo caminho está a proposta de inclusão dos temas do direito à comunicação e mídias alternativas, que durante esses dez anos foi adquirindo importância nas discussões do Fórum. O debate do direito à comunicação tem ganhado força no Brasil, especialmente a partir da Conferência Nacional de Comunicação e do Plano Nacional de Direitos Humanos. Agora em 2010, na 2ª Conferência Nacional de Cultura, que será realizada em março, o tema volta à tona.

A comunicação como um direito e o uso das tecnologias para a difusão de ideias e ideais tem relação direta com as lutas assumidas pelos movimentos sociais em todo o mundo. Pensar em alternativas de comunicação, que agreguem as demandas dos movimentos e que tenham força para atingir a grande massa da população é um desafio que deve ser enfrentado.

Mais do que ter acesso a informações – também uma luta necessária –, é imprescindível ter condições de produzir e disseminar seus próprios conteúdos, suas versões e impressões, em especial sobre as ações das organizações sociais e nas áreas em que atuam. A mobilização vinda do Fórum nesse sentido só nos mostra o quanto os movimentos sociais estão amadurecendo.

Leia a matéria A comunicação nos dez anos do Fórum Social Mundial

Leia o Editorial Comunicação como direito humano

Por: Observatório de Favelas
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