Moradores do Morro Dona Marta reclamam de iluminação precária

Por: Caio de Menezes / JB Online

Os moradores do Morro Dona Marta já não se preocupam tanto com a possível invasão de privacidade provocada pelas nove câmeras instaladas pela Polícia Militar, em setembro, para monitorar a movimentação na comunidade. A falta de iluminação pública nos becos, vias e escadarias da comunidade, chamada de Santa Marta, não permite, em alguns locais, que se enxergue um palmo, muito menos que imagens sejam captadas.

Simone Lopes, da ONG Grupo Eco, chamou a atenção para um dos muitos transtornos causados pela carência de postes de luz em diferentes pontos da favela. Para ela, a deficiência do serviço prejudica até o trabalho da polícia, já que a falta de luz impede o monitoramento.

– Não adianta nada instalar as câmeras sem ter luz. Como vão ver alguma coisa?

A diarista Roseli Ribeiro Duarte, de 34 anos, reclama da dificuldade constante que enfrenta toda vez que precisa descer, à noite, as escadarias do morro.

– Minha casa fica na parte alta do Dona Marta. O plano inclinado me ajuda a chegar e sair de lá, mas, às vezes, preciso andar pelo morro. Aí, é uma verdadeira guerra, ainda mais à noite. Nem todos os moradores podem deixar as luzes de casa acesas para iluminar as ruas, a maioria apaga tudo.

Para Roseli, que teve a casa construída pelo governo estadual há quatro anos, falta a presença da Rioluz, empresa da prefeitura responsável pela iluminação das áreas públicas da cidade.

– Assim que construíram minha casa, colocaram um poste de luz bem em frente, mas há dois anos ele não funciona. É só vir aqui e consertar, mas ninguém faz isso. O que custa subir o morro, ainda mais agora que ele tá tranquilo? – questiona, referindo-se à presença, desde dezembro, da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Dona Marta.

Noite barulhenta

Já a dona-de-casa Danila da Conceição, de 20 anos, conta que, curiosamente, o cenário escuro, não propicia sono mais tranquilo.

– Ao invés de o escurinho ajudar na hora de dormir, ele acaba atrapalhando. Vira e mexe alguém passa aqui e leva um tombo, se quebra todo, dá um grito e depois xinga e reclama. Uma vez, tive que acordar pra acudir um menino que caiu bem em frente à minha casa.

Danila cita outros problemas que resultam da falta de iluminação.

– Sempre tem uns engraçadinhos que aproveitam para aprontar. Outro dia, sumiram umas roupas do meu varal. Também já largaram um casaco e uma meia no meu quintal, vai saber o que não fizeram aqui – conjectura a dona-de-casa.

Lazer prejudicado

O professor de música da ONG Atitude Social, também instalada no Dona Marta, Pierre Avila, conta que a escuridão acabou com uma opção de lazer dos moradores.

– A quadra da arena não tem mais iluminação. As peladas acabaram, porque a Light retirou todos os fios dos postes. Agora, precisamos ligar os fios na casa de algum morador. É o único jeito de acender os refletores.

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