O Brasil Perde um Artista Político

Por Marcello Gabbay

augustoboalO teatrólogo e pensador brasileiro Augusto Boal não está mais conosco. Faleceu na noite desse sábado, 02 de maio, vítima de leucemia no Rio de Janeiro aos 78 anos. Augusto Boal é um dos mais importantes nomes do teatro brasileiro, seu trabalho, traduzido em mais de vinte línguas ao redor do muno, é reconhecido e utilizado como referência em escolas de teatro de todo o planeta.

Nascido na Penha, bairro do subúrbio carioca, seu nome ganhou força quando fundou e alastrou o Teatro do Oprimido, uma técnica, noção e fazer do teatro ispirados no pedagogia dialogal de Paulo Freire. Em 2007, durante a aula inaugural da Escola de Comunicação da UFRJ, perguntado se o termo “oprimido” não trazia um aspecto negativo ao seu teatro, Boal respondeu que essa palavra é verdadeira e necessária, era preciso encarar de frente a condição de opressão e exclusão para que fosse possível sair do estado passivo em que nos encontramos para um estado ativo, o verdadeiro estado do ator.

Foi durante o exílio de Boal em Lisboa, nos anos 1970, por conta do governo militar no Brasil, que o Teatro do Oprimido pôde ser disseminado como método na Europa e nos outros países da América Latina, de volta ao Brasil, fundou em 1987 o Centro Teatro do Oprimido – o CTO – com sede no bairro da Lapa. O Centro, que se originou do projeto Fábrica de Teatro Popular apoiado pelos antigos CIEP’s na gestão do então vice-governador do Rio de Janeiro Darcy Ribeiro.

O “teatro invisível” é aquele onde somos todos atores e espectadores, e onde o dialogismo é possível e necessário para a discussão política na sociedade, o teatro recupera aí seu sentido mais primário e transformador, aquele que possibilita a reflexão sobre a própria vida. Foi assim que o pensamento de Boal se aplicou em inúmeros projetos de educação, saúde mental e inclusive em penitenciárias.

No final de 2008, assistimos à fala de Boal uma última vez, por ocasião do II Encontro de Performance e Política das Américas realizado na Unirio, sob coordenação do Professor Zeca Ligiéro. Ao lado de Amir Haddad e do professor Ligiéro, faz piadas e falou sério sobre sua trajetória política, numa mensagem clara de que arte e política são indissociáveis.

O mundo perde hoje um importante teatrólogo e pensador; mas o nosso país, já tão esmagado pela história da própria opressão, perde mais um artista político, um homem raro, que deixa aqui a latência de pensar o teatro como expressão popular crítica, uma idéia tão adversa na realidade atual de algumas de nossas capitais…

Viva Augusto Boal!

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Um pensamento sobre “O Brasil Perde um Artista Político

  1. […] homem raro, que deixa aqui a latência de pensar o teatro como expressão … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

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